A noite "vestiu-se" de negro, envergava um vestido de renda fina debruado dom delicadas lágrimas, arrastava-se lentamente por entre os umbrais das casinhas recônditas das vielas.
Perguntei à noite:
- Porque choras tu e
chegas tão escura dado que o sol acolheu este último dia de Março nos seus cálidos
“braços”?Ela respondeu:
- Perdi o brilho, perdi toda a minha cor, o luar roubou-me uma linda estrela…desta vez conseguiu o seu intuito.
O céu apesar de luminoso e apinhado de mil constelações estava triste, no entanto de entre todas somente uma resplandecia majestosamente de tanta felicidade.
Conheces aquela jovial estrela que justamente hoje fez morada no céu?
- Sim, conheço minha amiga e tu também, era a estrela resignada pela dor, a quem nem sempre a vida foi fácil ou sorriu e enfim por ela foi traída.
Por muito que tentasse entender não consegui; afinal quem é a estrela, será realmente uma conhecida minha?
A noite prosseguiu em tom magoado – foi muito amada por alguns e porém outros unicamente lhe viraram as costas…bom mas a vida é mesmo assim estranha, horas há em que somos beijados e outras a mesma boca que nos beija e nos diz “palavras carinhosas” centrifuga-nos alma e quase sucumbimos.
Teve filhos e netos, sorriu com um sorriso tão grande que mal cabia no rosto, foi forte remou tanta vez contra a “corrente encapelada” até que um dia o sol deu lugar à tempestade, apesar de ela nunca desistir de lutar, fê-lo até ao último instante em que o céu lhe tirou o derradeiro sopro que fazia bater o coração cada vez mais forte (ela calou-se, soluçou e prosseguiu), foi alguém de “sólida” coragem.
- Quem é ela? Perguntei curiosa! Diz-me que me impaciento!
- De agora em diante tem o nome escrito no céu, juntou-se às demais estrelas para que possa juntar-se aos resgatados por Cristo Jesus, Isabel foi seu nome, luta a sua “espada”, “tortuoso” o seu caminho, mas venceu a morte e vive no céu; a partir daquele instante percebi que amiga Belita subira ao Pai Celestial para juntar-se aos anjos divinos.
A noite desta vez veio acompanhada pela dor, trazendo um vazio dentro do peito e a voz embargada…o rosto marcado pelo sobressalto.
A existência corpórea acaba dando lugar à vida eterna.
Agora estou convicta que sorri, está feliz e tenho a certeza que a sua passagem por esta vida não foi em vão, naturalmente pelo caminho tocou alguém no coração…
Singela homenagem àquela que foi minha amiga - Isabel Toureiro
N - 27.02.1963 – F - 31.03.2012
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